Autor: studart

O contubérnio entre Lula e Maluf

É público que há muito o ex-presidente malufou. O que está chocando senhoras pudicas, como Erundina, é que misturas de mau gosto, como feijão com marracão ou Lula com Maluf, deveriam se manter confinadas à serventia da casa Por Hugo Studart Contubérnio é um termo clássico, originário da menor unidade dos exércitos romanos, o contubernium, grupamento de oito homens que dividiam a mesma tenda, comiam juntos e lutavam idem. Era um substantivo positivo, de camaradagem. O cristianismo adotou o termo para se referir à convivência de pessoas que mantém relações sexuais sem estar casadas. Geram filhos bastardos. Na política, passou a ser usada como aliança secreta, ilícita, reprovável. Alianças espúrias, enfim. Isto posto, reproduzo um diálogo entre o Sr. Paulo Salim Maluf e dois jornalistas: — Mas o que está que está acontecendo? Por que Maluf lulou? – Não, eu não lulei, o Lula é que malufou. Ele é quem está aderindo às minhas ideias. — Como assim? — O Lula já disse tempos atrás que quem na juventude é certo ser socialista, mas quem depois dos 60 anos continua com as mesmas ideias, tem que procurar um psiquiatra. Ele caiu na real e hoje defende as ideias do Paulo Maluf quando foi candidato à Presidência há 20 anos atrás. E defende as ideias liberais com mais ardor do que eu. Ele até “delfinhou”, escuta mais o Delfim Netto do...

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Em defesa da vida nos Infernos

Depois de muito conversar com os mortos, o filósofo e teólogo Emanuel de Swedenborg descobriu que o Inferno, na verdade, seria uma das mais inteligentes obras de Deus, e que estilo de vida ideal para a eternidade é o dos prazeres Por Hugo Studart O mito da felicidade rege que todo homem ambiciona a liberdade durante a vida e o Céu após a morte. A realidade prova, contudo, que a maior parte dos seres humanos procura viver no Inferno, tanto aqui quanto acolá. Talvez seja o Inferno um local aprazível, bem menos aterrorizante do que nossa imaginação ocidental seja capaz de cogitar. Mas afinal, qual o estilo de vida ideal para se ter na Eternidade? De acordo com o imaginário cristão, a vida no Paraíso seria de muita paz e serenidade, e só poderia ser conquistada caso o candidato levasse um cotidiano na Terra tomado de amor fraternal, orações, modéstia, caridade e recato. Enfim, uma vida tendendo ao jejum, ao silêncio e ao celibato monástico. Por outro lado, caso o homem venha a ter uma vida na Terra tomada de prazeres materiais e carnais, ambicionando fama, dinheiro, poder, estaria fadado a purgar a eternidade no quinto dos infernos. Existe a possibilidade, contudo, da vida após a morte não ser regida por esse maniqueísmo medieval, no qual as coisas, como observou Bertrand Russel, são “celestialmente brancas ou diabolicamente negras”. E...

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Um ritual mágico de gratidão aos amigos

Muito cuidado com os pensamentos pois podem se tornar palavras, rege um velho ditado. E cuidado com as palavras, pois podem virar atos, que se consolidam em hábitos, que se repetidos muitas vezes se transformam em rituais. E, por fim, muito cuidado com os rituais pois tendem a virar realidade. Isto posto, conclui-se que devemos tomar cuidado com nossos pensamentos pois eles acabam se materializando, criando novas realidades para nossas vidas, caminhos que podem ser longos – por vezes de uma vida inteira. O velho ditado parte do pressuposto de que temos pensamentos negativos. Por isso começa com um alerta. Ocorre que nossa mente costuma alternar bons e maus pensamentos, luz e trevas, alguns mais luz e otimismo; outros depressão, mágoas e pessimismo – dependendo do momento e do coração de cada um. Seria muito bom que só conseguíssemos emitir bons pensamentos, pois assim se tornarão boas palavras, que viram atos, que se consolidam em hábitos, que repetidos muitas vezes se transformam em rituais – até que esses rituais materializassem realidades positivas dentro de caminhos do bem. Já lá se vão bem uns 15 anos (ou mais) que criei um ritual pessoal de passagem de ano, no qual ao final da tarde do dia 31 de dezembro me posto sozinho em algum lugar aprazível para ter bons pensamentos. Sempre acendo um bom charuto. Primeiro reflito sobre o ano que...

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Denunciados por jornalistas, políticos e autoridades não se explicam, diz professor

No próximo dia 7 de maio, a revista IMPRENSA promove o “V Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia”, no Museu da Imprensa Nacional, em Brasília (DF), que vai debater temas como censura, liberdade de imprensa na cobertura política e outros. Hugo Studart, jornalista e professor da Universidade Católica de Brasília, está confirmado no evento. Para ele, políticos e autoridades públicas em geral, diante denúncias da imprensa, em vez de se explicarem, consolidaram o hábito de processar jornalistas. Do Portal Imprensa Com a queda da Lei de Imprensa […] está muito fácil processar por dano moral. O que é dano moral? A questão é por demais subjetiva. [Políticos e autoridades públicas] agora processam o veículo pelo Código Civil, pedindo indenizações pelo suposto dano moral, e ainda por cima processam criminalmente o jornalista pelo Código Penal”, explica Studart. Segundo ele, os denunciados inventaram uma “metralhadora” contra a imprensa: “a tática entrar com dezenas de processos similares, em vários Estados”. “Quando a metralhadora é contra um veículo como a Folha de S.Paulo, fica fácil se defender. Mas quando é contra um jornal regional, ou um site independente, a imprensa acaba sucumbindo”, compara. Para Studart, por essas e outras razões, “terminou a era do jornalismo investigativo de peito aberto”. “Os repórteres e os editores precisam cada vez mais estarem forrados de todo tipo de prova antes de publicarem. E, principalmente, de uma boa...

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A indústria das indenizações ameaça a Liberdade de Expressão

Desde que teve início a onda dos processos judiciais por suposto dano moral, a imprensa vem sendo seriamente ameaçada na liberdade de expressão. Celebridades vivem alegando o direito à privacidade. Políticos e autoridades, aos invés de se explicarem pelas denúncias de falcatruas, limitam-se a processar jornalistas. Trata-se de um nova forma de censura. As táticas estão cada vez mais sofisticadas. O fato concreto é que terminou a era do jornalismo investigativo de peito aberto. Os repórteres e os editores precisam cada vez mais estarem forrados de todo tipo de prova antes de publicarem. Mas fica a questão: como teve início a indústria das indenizações e a censura indireta? (Palestra proferida no Fórum Liberdade de Expressão & Democracia“, promovido pela revista IMPRENSA, em 7 Maio 2013, em Brasília, Painel: “A Censura Judicial e a Cobertura Política”, com os jornalistas Cátia Seabra, da Folha de S.Paulo, Fábio Pannunzio, da TV Bandeirantes, e Hugo Studart, da Universidade Católica de Brasília, mediado por Théo Rochefort, diretor da Abert)     A Censura Judicial e a Cobertura Política Por Hugo Studart Devo apresentar-me aos senhores. Sou essencialmente um repórter. Trabalhei exatamente 25 anos como repórter investigativo. Tive outras funções, editor, colunista, até relações institucionais eu fiz. Mas minha essência é de repórter perdigueiro. Furo, matéria denúncia. No início da carreira, na década de 80, correu tudo bem. De repente, em meados da década de...

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