Autor: studart

Yankees, go home!

Recuse-se a assinar qualquer confissão de dívida com a Eletropaulo, maior distribuidora de energia da América Latina. Controlada pelos americanos da AES, a Eletropaulo usou métodos de Al Capone e coagiu milhares de consumidores a pagar supostas diferenças nas contas de luz de até 15 anos atrás. Era assinar uma confissão de dívida ou ter a luz cortada — o nome sujo no SPC. É “abuso”, “coação”, “absolutamente ilegal”, avisa o Ministério Público. Alerte os amigos e vizinhos. O MP agora está acionando a Eletropaulo para que devolva o dinheiro recebido indevidamente de consumidores. Entregar a Eletropaulo a esses americanos (quase de graça) foi a grande herança maldita de FHC. Esse é, definitivamente, um daqueles casos de deixar o cidadão brasileiro indignado, do início ao fim. Os americanos ficaram com a Eletropaulo numa grande mamata do governo Fernando Henrique. Em 1998 tomaram um empréstimo de US$ 2 bilhões do BNDES, sem garantias reais, enviaram US$ 900 milhões de supostos lucros para a matriz nos Estados Unidos e ainda por cima não pagaram o empréstimo. Devem US$ 1,3 bilhão. Num passe de mágica, ficaram com uma empresa que detém o monopólio de um serviço essencial, companhia estratégica, que fornece energia para quase metade do parque industrial brasileiro. Não foi uma privatização, mas uma proto-doação. Como naqueles negócios em que um pai empresta dinheiro a um filho para comprar o imóvel...

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DESVELANDO A GUERRA ABERTA – “O Imaginário dos Militares na Guerrilha do Araguaia” (Dissertação de Mestrado, cap. 3)

“A forma extrema de poder é Todos contra Um; a forma extrema da violência é Um contra Todos” Hannah Arendt 3.1 – Um Imaginário Plural   Costuma-se distinguir os militares e dirigentes do regime estabelecido em 1964 entre “moderados” e “linha dura”. Na verdade, a divisão no governo e dentro das Forças Armadas era bem mais complexa, revelando a existência de um imaginário plural entre os militares. O primeiro presidente do regime militar, o general Humberto de Alencar Castelo Branco, como demonstra a rica historiografia desse período, era um político moderado e teria projetos de redemocratização do País. Vinha, naturalmente, de uma longa tradição positivista do Exército Brasileiro, forjado no pensamento de Augusto Comte e acreditando, acima de tudo, “na ordem como condição básica para o desenvolvimento da proposta civilizadora e modernizadora do país”[1]. A ascensão da “linha dura”, igualmente positivista, mas também forjada no novo imaginário anticomunista, se deu quando o grupo do então ministro da Guerra, o general Arthur da Costa e Silva, se impôs a Castelo como seu sucessor. Já no poder, Costa e Silva trouxe de volta ao Brasil seu amigo gaúcho, Emílio Garrastazu Médici, então adido militar em Washington, para ocupar o cargo de ministro-chefe do Serviço Nacional de Informações, o SNI[2].   O grupo de militares que atuou na Guerrilha do Araguaia, por sua vez, dispunha de um imaginário social. Todos eram militares,...

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DESVELANDO A GUERRA ABERTA – “O Imaginário dos militares na Guerrilha do Araguaia”, cap. 3

“A forma extrema de poder é Todos contra Um; a forma extrema da violência é Um contra Todos” Hannah Arendt 3.1 – Um Imaginário Plural   Costuma-se distinguir os militares e dirigentes do regime estabelecido em 1964 entre “moderados” e “linha dura”. Na verdade, a divisão no governo e dentro das Forças Armadas era bem mais complexa, revelando a existência de um imaginário plural entre os militares. O primeiro presidente do regime militar, o general Humberto de Alencar Castelo Branco, como demonstra a rica historiografia desse período, era um político moderado e teria projetos de redemocratização do País. Vinha, naturalmente, de uma longa tradição positivista do Exército Brasileiro, forjado no pensamento de Augusto Comte e acreditando, acima de tudo, “na ordem como condição básica para o desenvolvimento da proposta civilizadora e modernizadora do país”[1].   A ascensão da “linha dura”, igualmente positivista, mas também forjada no novo imaginário anticomunista, se deu quando o grupo do então ministro da Guerra, o general Arthur da Costa e Silva, se impôs a Castelo como seu sucessor. Já no poder, Costa e Silva trouxe de volta ao Brasil seu amigo gaúcho, Emílio Garrastazu Médici, então adido militar em Washington, para ocupar o cargo de ministro-chefe do Serviço Nacional de Informações, o SNI[2].   O grupo de militares que atuou na Guerrilha do Araguaia, por sua vez, dispunha de um imaginário social. Todos eram...

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A queda do Barão da Bahia

ÂNGELO CALMON DE SÁ era o último remanescente da velha aristocracia educada na Suíça. A débâcle de seu banco, sob churrio público, representou a tomada por completo do poder econômico e político dos emergentes, outrora denominados noveaux-riches   Por Hugo Studart (Publicada originalmente pela revista Interview) Duas mil orquídeas, mil antúrios híbridos e quinze galerias de tapetes persas espalhados pela nave do Mosteiro de São Bento ainda emprestaram uma certa suntuosidade merecida ao acontecimento. Foram despachados 2.600 convites e, pelo calor humano denunciado nas maquiagens de algumas baroas, é provável que ninguém tenha faltado. O trânsito do Centro Histórico de Salvador foi desviado para dar vazão aos tilburis turbinados. Fora do templo, um enxame de mulambos desandava a aplaudir a noiva, linda como princesa, e se acotovelava para tirar uma lasquinha daquele que prometia ser um bolodório retado. Mas a recepção, na casa da donzela, foi o primeiro sinal exterior de que algo de bodoso estava ocorrendo no bolso do paizão. Para começar, havia apenas 750 convivas e uma renca de quase 2 mil barrados. O salmão chileno foi servido com regulagem espaçosa e o caviar era norueguês, dos baratos, desses de 250 dólares o quilo. Uísque, somente oito anos, John Walker Red Label, o mais óbvio, e o vinho era adocicado, Liebfralmilch, ideal para bárbaros alamanos. Ainda houve uma certa concessão na primeira rodada de champanhe, Veuve Cliquot,...

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