Então quem colocou na Presidência do Congresso esse jovem do Amapá?

 

De poucas leituras, pequena articulação e até então desconhecido? Há muita preocupação com a possibilidade de Davi ser tragado pelos tubarões. Eu não me preocuparia. Ora, Davi Alcolumbre é resultado de uma aliança de três forças:


1) As forças políticas conservadoras que ascendem com a eleição de Bolsonaro. Foi o ministro Onyx Lorenzzoni quem “farejou” que Davi poderia ser um bom plano B, pois Simone Tebet sempre foi o Plano A. Muitos duvidaram desse plano, inclusive eu. Onyx ascende como o grande vitorioso e volta a ocupar o posto no triunvirato de poder ao lado de Paulo Guedes e do general Augusto Heleno.

 

2) O Patriciado Nacional, representado pelo senador Tasso Jereissati. Refiro-me aos capitães das indústrias e empresários de tradição, que em 1964, sob a liderança da Fiesp, marcharam ao lado dos militares e da classe média para a instauração de um novo regime. Nada a ver com os interesses o capital financeiro global. Apesar de ter sido relegado à periferia do poder atual e ainda estar sem interlocução relevante neste governo (ainda), esse Patriciado entrou no jogo na última hora para garantir as reformas necessárias, que certamente seriam travadas com Renan e pelos interesses que ele representa. Tasso foi decisivo ao mobilizar seus pares, não os senadores, mas aqueles que pagam as contas de Suas Excelências. Merece tantos aplausos quanto Onyx. O senador Esperidião Amin também foi decisivo nas articulações desse grupo de poder.

 

3) Por fim, o capital financeiro globalizado, representado no poder por Paulo Guedes. Ainda não tenho informações consistentes sobre a exata participação dos bancos e de Guedes na derrota de Renan. Há boatos de que ele estaria apostando em Renan; avalio inverossímeis. Fato é que nada de relevante acontece neste país sem o dedo do Capital Global, sobretudo Bradesco e Itaú, dos fortes financiadores de campanha. Ademais, Davi Alcolumbre é judeu, o primeiro a chegar à Presidência do Congresso. Etnias no Brasil não tem a menor relevância nesse tipo de assunto. Contudo, pode ser que a comunidade israelita tenha tido alguma participação em sua vitória — mas esse ponto é especulação, não informação.

 

Enfim, partindo do princípio de que jabuti não sobe em árvore, lembremos de que as mesmas mãos que colocaram esse jovem desconhecido do Amapá em cadeira tão relevante para a aprovação das reformas estruturais, decerto vão trabalhar para que tudo dê certo em sua gestão.