Há uma profusão de comentários e memes chamando toda a esquerda de “comunistas”, ou de “petistas” todos os grupos de esquerda, como se fosse uma coisa só. Mas há diferenças abissais entre comunistas e petistas, como também entre socialistas e social-democratas. A esquerda comporta tantos matizes quando o centro e a direita.

PCB – O Partido Comunista Brasileiro nasceu em 1922, com um punhado de sindicalistas anarquistas de SP, RJ e RS. Dizem que cabiam em um Fusca, mas acho que chagavam a uma Kombi. Mas o PCB só veio a tomar corpo com a adesão do capitão Prestes, na década de 1930, arrastando uma plêiade de militares junto, como o capitão Agildo Barata Ribeiro, pai do comediante Agildo Ribeiro.

Em síntese, pode-se afirmar com certa segurança que os comunistas brasileiros nasceram de uma costela do Exército. E tal qual os antigos colegas de caserna, criaram a tradição (quase dogmática) de ler, estudar e construir projetos estratégicos de longo prazo. Cultuam a racionalidade e, desde 1956, abdicaram dos preceitos da Luta Armada, da Ditadura do Proletariado e do tal Centralismo Democrático.

Desde 1992 estão reorganizados no PPS e espalhados por outros partidos. Há 60 anos aceitam jogar dentro da Democracia Representativa e estão em diálogo permanente com o Socialismo e com a Social-Democracia tipo sueca.

PT – Já o Partido dos Trabalhadores nasceu em 1980 de uma costela da Igreja Católica Progressista, em aliança com os sindicalistas não-comunistas, os trotsquistas e, paradoxalmente, os stalinistas (que nunca aceitaram a luta pacífica dentro da democracia representativa).

Os estudos, a leitura, o preparo e a racionalidade jamais foram preceitos petistas. Ao contrário, a prática é a de mobilizar a militância por meio de cartilhas e de palavras de ordem. No PT, é necessário não pensar, ou melhor, o ideal é duplipensar, segundo a expressão de Orwell.

Já foi o maior partido de massas da história do Brasil, mas com o processo de ocaso de Lula a partir do escândalo do mensalão, acabou se transformando em uma seita religiosa, tragada pelo fenômeno global do chamado Messianismo Político.

PC do B – O Partido Comunista do Brasil, por sua vez, nasceu em 1962 a partir de uma dissidência stalinista do Comitê Central do PCB. Sempre foi um aliado estratégico do PT, desde seu nascimento, e um inimigo do irmão primogênito PCB (tipo Caim e Abel).

Em 1996, no governo FHC, o PCdoB passou a aceitar oficialmente, em Congresso, jogar dentro das regras da Democracia Representativa. Contudo, jamais renegou o camarada Stalin (ainda tratado como o Guia Genial dos Povos), a Luta Armada e o objetivo estratégico de implantar o Ditadura do Proletariado. Nas práticas internas, continua prevalecendo o tal Centralismo Democrático.

Sobre PSOL, PCO, PSTU e outras seitas, assim como sobre a esquerda light, os tais socialistas e social-democratas, deixo para outra ocasião.