Damares defende projeto que prevê bolsa para vítimas de estupro que decidam não abortar. Então caem matando em cima dela, com requintes de crueldade, covardia e sordidez. Tem feministas defendendo a obrigatoriedade do aborto em caso de concepção por estupro. “Vai nascer mais um bandido”, argumentou a srta. Conheci bem Maria (fictício), fruto de um estupro violento. Sua mãe optou pela gestação. Do pai, só sabe que era bandido. Mãe e filha amam-se intensamente. São do interior do Paraná. Maria tem curso superior, casou-se com um bom homem e formou família.

Há um caso similar mais próximo, uma ex-orientanda minha na universidade. A família forçou o aborto, mas sua mãe (adolescente) fugiu. Minha aluna foi criada pelos avós. Centrada, focada, brilhante, hoje militante católica Pró-Vida (anti-aborto). Curiosamente, é fisicamente muito parecida com “Maria”, ambas lindas, morenas de olhos verdes (detalhe de menor relevância no contexto do debate), ambas mulheres de bem.

Esse país de mierda tem bolsa para tudo. Então anuncio aqui que, doravante, posto-me em apoio a essa bolsa-maternidade proposta pela Damares. Quem quiser abortar, a lei já permite. Quem quiser gerar o filho, que tenha todo o amparo do Estado. É o certo.

A morte não é de direita nem de esquerda. Por essa razão, aborto não é causa política, mas sim tragédia. Aborto é assassinato de inocente “indesejado”. Como justificativa, o conceito da opção pelo “mal menor”. Acredito que não se deve criminalizar as mulheres que fazem essa opção. Mas também não se pode festejá-las, como se fossem heroínas da causa feminista. Ao contrário!

Lembro que os Direitos Humanos foram inventados em meados do Século 18, quando Rousseau passou a defender o direito das mulheres à livre escolha afetiva (e ao divórcio). Daí para frente, emergiram muitas outras facetas da longa luta pela emancipação da mulher. Portanto, amparar as vítimas do estupro que optarem pela maternidade é um dos fundamentos dos Direitos Humanos.

Damares, aproveita e ampara todas elas, inclusive as mulheres vítimas desse nosso Estado indecente, que não fornece hospitais e escolas decentes.