Por: Hugo Studart.

A direção do PT está dando todos os sinais exteriores de que aposta na eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República. Pelo menos o que transparece dos últimos movimentos é que não quer a eleição (possível) do candidato do partido, Fernando Haddad. Mas tão somente fazer uso de seu rostinho para manter Lula em evidência.

Em maio último, escutei de uma pessoa muito próxima a José Dirceu, depois que mantiveram uma longa conversa, que o objetivo estratégico do PT era sobreviver a esta eleição. Como? Primeiro, fazendo uso da prisão de Lula como uma “causa política” para manter o partido unido e mobilizado. Segundo, encontrar um bom puxador de votos para fazer uma grande bancada federal no Congresso. Jamais seria a mesma bancada do agora. Mas a meta era eleger uma bancada com força suficiente para liderar a oposição ao próximo presidente.

Por fim, a revelação que mais espanta. O melhor dos cenários para o PT é que Jair Bolsonaro fosse eleito presidente. Seria a aposta no caos, quatro anos de oposição fácil, o que aumentariam as chances de retornar ao poder em 2022. Até lá, muitas das reformas estruturais necessárias seriam feitas, inclusive por Bolsonaro, mesmo aos trancos e barrancos. Na aposta do caos, o pior cenário seria a eleição do moderado Geraldo Alckmin.

Neste momento do cenário, faltando apenas um mês para as eleições, há fortes indícios que a dupla de rostinhos novos e bonitos, Fernando Haddad e Manuela D’Ávila têm chances razoáveis de chegar ao segundo turno, caso sejam impulsionados com afinco, e depois buscar derrotar Bolsonaro. 

Contudo, a campanha oficial largou com o PT evitando oficializar a candidatura da dupla, mantendo Haddad numa situação difusa, meio candidato do PT, meio porta-voz de Lula. Já são muitas as informações de bastidores de que a maior parte do PT não confia em Haddad. Ele seria independente demais e já não quer obedecer aos supostos herdeiros de Lula; que teria sido melhor escolher Jacques Wagner. 

Assim, já correm boatos no partido de que não é para se empenhar por ele. Por fim, notícias do final de semana dão conta de que Manuela será sacrificada e que se discute colocar um petista em seu lugar. Em outras palavras, busca-se o caos interno no PT. 

A única explicação possível é a de que a direção do partido, tal qual pensou Dirceu, está fugindo de uma possível vitória como o diabo da cruz. Pois, se Haddad vencer, o partido terá que fazer as reformas estruturais impopulares para consertar a herança maldita que eles mesmos criaram (e Temer não consertou). Ou venezualizar o Brasil de vez. 

Assim sendo, o melhor cenário para o partido seria mesmo fingir que faz campanha, apostar em Bolsonaro e trabalhar com afinco para retornar ao poder em 2022.

 

Disponível em: https://arepublica.com.br/perspectivas/o-pt-estaria-apostando-em-bolsonaro