ATENÇÃO: Ato de Escracho contra o lançamento do meu livro no RJ, nessa terça-feira (14). O ato é organizado por Elizebeth Silveira, cujo irmão, o guerrilheiro René Silveira, fez delação premiada e trocou de identidade para não ser executado (Cap.19). Elizabeth é líder dos grupo de familiares que receberam indenizações. Outra do time é a ex-guerrilheira Crimeia Almeida, que manteve relações amorosas com o sargento chefe da equipe de torturas e execuções, o levou às bases guerrilheira, provocando cinco mortes, como a do pai de seu filho (cap 20).

Reafirmo TODAS as informações comprovadas no livro, cada linha, cada nota de rodapé. E lembrando que na obra, “Borboletas e Lobisomens — Vidas, sonhos e mortes dos guerrilheiros do Araguaia”, de 660 pág., busco o equilíbrio ideológico e expor histórias que tanto os militares quanto a direção do partido comunista vêm tentando manter ocultas, conforme registra o editor na contracapa.

Aproveito para convidar a todos para a leitura do capítulo 19:”Sonata para Carmen” que está disponível no link:

Operação Mortos Vivos, a história dos guerrilheiros que fizeram delação premiada e trocaram de identidade

 

Abaixo, a íntegra do manifesto contra o lançamento:

NOTA DENÚNCIA E CONVITE PARA O ESCRACHO

O GRUPO TORTURA NUNCA MAIS-RJ vem veementemente repudiar a tese de doutorado de Hugo Studart Em algum lugar das selvas Amazônicas: as memórias dos guerrilheiros do Araguaia (1966-1974), que foi adaptada para livro sob o título Borboletas e Lobisomens: vidas, sonhos e mortes dos Guerrilheiros do Araguaia. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 2018.

O autor é filho do tenente-coronel-aviador Jonas Alves Corrêa que “era o de chefe da Seção de Operações do CISA em Brasília durante a repressão no Araguaia. A partir de 1968, passou a organizar as redes de informantes, treinou civis e militares em operações de inteligência. Era especialista em recrutar militantes das organizações de luta armada, para infiltrar agentes, principalmente na região Centro-Oeste.” (STUDART, 2018, pp. 628, 629)

Esta tese de doutorado, baseada em relatos dos militares e dos camponeses que serviram de apoio a estes nas ações de extermínio das guerrilheiras e dos guerrilheiros, é recheada de insinuações misóginas, ofensivas e caluniosas. As guerrilheiras são apresentadas como mulheres frágeis, possivelmente delatoras, amantes dos seus algozes e incapazes de pensar criticamente o seu papel revolucionário no contexto histórico da Guerrilha do Araguaia.

Relatos preconceituosos sobre a vida sexual dos guerrilheiros também estão presentes neste trabalho, afirma em seu livro que: “… havia um problema naquele grupo revolucionário. Eram quase sessenta homens jovens para dezoito mulheres, numa relação de três para uma”. (Idem, p.281)

Outra de suas declarações, cuja comprovação baseia-se apenas nos relatos dos militares, não identificando os seus verdadeiros nomes, é a de que “(…) todos os guerrilheiros do Araguaia presos, absolutamente todos, prestaram algum tipo de informação aos militares”. (Idem, p. 463)

O autor afirma, ainda, sem nenhuma comprovação, que sete destes guerrilheiros, desaparecidos há aproximadamente 45 anos, estão vivos. Teriam se arrependido e mudado de identidade. Este fato está causando imensa indignação e transtornos emocionais para os familiares que dedicam toda a sua vida na busca das circunstâncias das mortes e na identificação de seus entes queridos. Isto representa um novo golpe à memória destes militantes e de seus familiares.

O GTNM-RJ que, desde a sua fundação, em 1985, sempre lutou pela memória, verdade e justiça, interroga: como uma tese com tantas incongruências encontra acolhida dentro do ambiente acadêmico? Espanta-nos o fato desta tese ter sido premiada na UnB e ter concorrido ao Prêmio Capes de Tese de História.
Há tempos denunciamos este autor. Em nosso jornal (05 de agosto de 2009), sob título “FARSA HISTÓRICA?” já havíamos apontado que “em seu livro A Lei da Selva (Geração Editorial, 2006) – produto de sua dissertação de mestrado defendida, em 2005, também na UnB – deixa claro o acordo que fez para manter o anonimato dos militares que participaram diretamente dos crimes cometidos na região do Araguaia contra os guerrilheiros e a população local.
Finalmente, nossa última denúncia refere-se aos agradecimentos contidos nesta tese de doutorado e reproduzidos no livro, em particular, a Nelson Jobim “que, na condição de ministro da Defesa, autorizou ao autor o acesso aos arquivos secretos do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) como também aos arquivos do Serviço de Inteligência Militar” (Idem, p. 8).

Reafirmamos a nossa luta, de mais de três décadas, pela abertura de todos os arquivos da ditadura civil-militar, bem como a localização e a identificação dos corpos dos desaparecidos da Guerrilha do Araguaia e de todos os demais desaparecidos como está determinado na Sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA (2010).

Continuamos a nossa luta contra o esquecimento, contra o sigilo, contra as insanas memórias construídas com a exclusiva finalidade de destruir a luta daqueles que queriam construir um país mais justo e igualitário.

Convidamos as nossas parceiras e parceiros, a todas e todos implicadas e implicados com a defesa dos Direitos Humanos em nosso país, a fazermos um escracho no lançamento do livro Borboletas e Lobisomens, no Rio de Janeiro, na frente da livraria Argumento, no dia 14 de agosto, terça-feira, às 18h. Rua Dias Ferreira, 417, no Leblon.

Rio de Janeiro, 8 de agosto de 2018.

Pela Vida, Pela Paz
Tortura Nunca Mais!