Por: Hugo Studart.

O Partido Comunista do Brasil, PC do B, publicou neste sábado uma resenha crítica sobre meu livro “Borboletas e Lobisomens — Vidas, sonhos e mortes dos guerrilheiros do Araguaia”, na qual classifica este historiador e/ou a obra com adjetivos como: grosseiro, rarefeito, torpe, vulgar, infâmia, desídia, estultície, vilipêndio, sandice, devaneio, falácia, calúnia, empulhação, desleixo, inverdade, tergiversação, versão falaciosa, narração folhetinesca, reprodução quixotesca, maldoso e inconsequente.

Trata-se da posição oficial do partido sobre o livro. São 17 páginas (em Word, fonte 12) assinadas pelo historiador oficial do partido, Osvaldo Bertolino, nas quais não são contestadas uma única linha sequer sobre o objeto da obra, qual seja, as “vidas, sonhos e mortes dos guerrilheiros do Araguaia”. Estranhamente, a crítica não se refere uma única fez ao objeto, mas se atém, somente e tão-somente, a buscar rebater as breves análises que faço sobre a participação da Direção do partido no episódio.

Ataca sobretudo minhas Considerações Finais, nas quais, com todas as letras, escrevo que a direção do PC do B da época abandonou à própria morte aquele punhado de jovens, estudantes secundaristas ou universitários em sua maioria (alguns sequer haviam completado a maioridade legal de 21 anos), desertaram do Araguaia e se esconderem na segurança das cidades. Deixaram a guerrilha sem linhas de abastecimento, sem armas, sem munição, sem alimentos, sem medicamentos, sem comunicações, sem rotas de fuga, mas somente com a ordem expressa: “ou trás a bandeira da vitória, ou deixa os ossos por lá”. Restaram 53 mortos.

Os atuais dirigentes escarafuncham cada linha da minha obra, 660 páginas, repito, em busca de eventuais erros. Denunciam “erros primários” com extrema ênfase, como o fato de eu ter escrito que o comandante Maurício Grabois era baiano. Em verdade, em verdade, esclarece o PC do B, era paulista, apesar de sua segunda certidão de nascimento informar que nasceu em Salvador, Bahia, explica a crítica. Minha gratidão por informação tão relevante para o curso da História. Prometo que na próxima edição vou acrescentar nota de rodapé esclarecendo sobre essa dupla naturalidade baiano-paulista do comandante.

Compartilho com os amigos o link com as esculhambações do PC do B contra minha pessoa e a obra. Avaliem:

http://www.vermelho.org.br/noticia/313477-1