Um militar encarregado de fuzilar uma guerrilheira durante o período da ditadura revelou, em livro publicado recentemente, ter se apaixonado pela mulher antes de matá-la. “Você quer me dar um beijo?”, teria perguntado antes de beijá-la e cumprir a sentença de morte.

Fonte: Yahoo Notícias

O livro “Borboletas e Lobisomens — Vidas, Sonhos e Mortes dos Guerrilheiros do Araguaia”, de autoria do jornalista e historiador Hugo Studart e lançado na última terça-feira (17), relata um dos episódios mais sangrentos do período. O movimento conhecido como Guerrilha do Araguaia, que ocorreu entre 1967 e 1974, teve início quando um grupo de militantes do PC do B iniciou uma ofensiva contra o regime militar em trechos da floresta amazônica localizados entre os estados do Pará e do Tocantins. Segundo Studart ao menos 77 pessoas morreram nos confrontos.

Um dos depoimentos é do militar identificado apenas como Robson, que foi o encarregado de executar Áurea Eliza Pereira, então com 24 anos, uma das guerrilheiras capturadas durante o conflito. Após três dias interrogando a moça, disse ter se apaixonado por ela.

“Minha vontade era fugir com a Áurea, sumir no mundo. Mas estávamos em lados opostos, ela sabia disso”, relatou.

A prisioneira já havia sido destacada para uma cova de 3x3m, com 2,5m de profundidade, onde seria fuzilada. Enquanto esperava de dentro do buraco, foi impelida a subir por Robson, que a chamou para tomar uma cerveja.

“Não me dê falsas esperanças, porque depois você não vai poder cumprir”, foi o que ela teria dito em resposta.

O livro relata que eles teriam se abraçado e beijado por longos minutos, até o militar pedir que ela descesse novamente a escada.

“Tirei a arma e apontei pra cabeça. A gente se olhava o tempo inteiro nos olhos e chorava. Hoje tenho certeza de que me apaixonei por ela e quero acreditar que ela se apaixonou por mim”, disse Robson a Studart.

 

 

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