Por: Jornal de Brasília

Borboletas e Lobisomens desvenda segredos polêmicos que tantos os militares quanto os comunistas vêm tentando manter ocultos.

A Guerrilha do Araguaia guarda um grande paradoxo. É um dos episódios mais comentados da nossa história. Ao mesmo tempo, dos mais obscuros. Esta obra lança luzes definitivas sobre as vidas, sonhos e mortes de um punhado de jovens que empenharam suas esperanças em uma luta sangrenta ocorrida nas selvas amazônicas. O lançamento da obra será feito na próxima terça-feira (17), às 18h30, no restaurante Carpe Diem, na Asa Sul. O evento é gratuito e aberto ao público.

Foram nove anos de pesquisa, acessando mais de 15 mil páginas de documentos secretos das Forças Armadas e as memórias de guerrilheiros sobreviventes, de militares e de camponeses. Ao fim e ao cabo, emergiu uma trama construída com um rigor acadêmico raro, em narrativa com viés literário que prende a atenção do início ao fim.

“Ideologicamente equilibrada e intelectualmente honesta, esta obra é, ao mesmo tempo, historicamente incômoda e polêmica, pois descortina segredos que tanto os militares quanto os comunistas vêm tentando manter ocultos. Eis a história definitiva da Guerrilha do Araguaia, afirma o editor Carlos Leal, da Francisco Alves.

“Studart colabora para por em relevo a exigência de memória e verdade como um caminho a ser percorrido na senda da construção democrática”, escreve no prefácio o professor José Geraldo de Sousa, ex-Reitor da UnB. “É obra enciclopédica”. E o embaixador Paulo Roberto de Almeida, acrescenta no Posfácio: “este livro, além de ser um relato intelectualmente honesto, tão objetivo quanto permitem os documentos remanescentes, foi magnificamente construído segundo as melhores técnicas da história oral e documental. Vale ler, refletir sobre seus dados e meditar sobre o futuro da política no Brasil”.

Hugo Studart é historiador, jornalista e professor. Seu trabalho de pesquisa histórica sobre o regime militar e a luta armada no Brasil é referência acadêmica. A tese de doutorado, “As memórias dos guerrilheiros do Araguaia” – que fundamenta o livro – ganhou o Prêmio UnB de Teses e foi finalista ao Prêmio Capes de melhor tese de História de 2014.

O livro A lei da selva, sobre a participação dos militares na Guerrilha do Araguaia, foi agraciado no Prêmio Vladimir Herzog e finalista do Prêmio Jabuti. A obra foi adquirida como referência por 22 universidades estrangeiras, dentre as quais Harvard, Yale e Princeton, nos Estados Unidos, Cambridge, Inglaterra, e a Fondation Nationale des Sciences Politiques de Paris.

O autor trabalhou como repórter, editor ou colunista nos principais veículos nacionais, como Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, revistas Veja, Manchete e Dinheiro. Foi Diretor e colunista da IstoÉ e editor-chefe da revista Desafios do Desenvolvimento, do Ipea. Ganhou diversos prêmios de jornalismo, como o Prêmio Esso e o Abril. É professor associado do Núcleo de Estudos da Paz e dos Direitos Humanos da UnB. E, também, membro da Academia de Letras de Brasília e do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal.

 

 

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