Já lá se vão pelo menos duas décadas que o financista Henrique Meirelles vem buscando condições pragmáticas para um dia vir a ocupar a Presidência da República. Mais que um sonho diáfano, acalentado desde a adolescência, trata-se de um plano meticulosamente preparado, cadenciado, paciente, com idas e vindas, fluxos e afluxos.

A execução desse vejo projeto teve início em fins da década de 1990, quando Meirelles ainda ocupava o cargo de presidente mundial do FleetBoston Bank e começou a preparar sua aposentadoria. Queria ser candidato a senador, se possível, ou a deputado federal. Depois, virar governador de seu Estado Natal, Goiás, para a seguir buscar o objetivo principal definido, o Palácio do Planalto. No pleito de 2002, primeira etapa de seu plano, acabaria eleito deputado federal pelo PSDB goiano. Antes de ser diplomado, renunciou ao mandato e aceitou o convite do presidente Lula para presidir do Banco Central. Nessa ocasião, dois dias antes de sua posse, Meirelles confidenciou a este jornalista:

“Todo brasileiro com um mínimo de dever cívico ambiciona a Presidência da República”, disse ele.

Meirelles passou oito anos no comando do Banco Central, um dos mais presidentes longevos da nossa história. Amargou o ostracismo durante os cinco anos do governo Dilma Roussef. Nesse período, foi presidente do Conselho de Administração do Grupo J&F, controlador dos frigoríficos JBS, do banco Original e da Vigor. Um mal passo, sabe-se hoje. Como argumento amenizador, o fato do fundador da Friboi, José Batista Sobrinho, pai de Joesley e Wesley, ser um velho conhecido da família Meirelles.

O resto da história é tão atual quanto pública: convidado por Michel Temer para consertar o desastre econômico deixado por Dilma, seus resultados têm agradado aos mercados financeiros. A ponto de Henrique Meirelles, aos 72 anos, estar se lançando pré-candidato à sucessão presidencial. Tanto faz se pelo DEM, como já aventado; ou pelo PMDB, a possibilidade da ora, ou por outra legenda qualquer. Ou ainda pelo PSD de Gilberto Kassab, que acaba de declarar que Meirelles é seu Plano A e Geraldo Alckmin seu Plano B. Melhor que seja com o apoio de Temer, mas também pode ser à sua revelia. O fato é que esta é a primeira chance concreta de Meirelles. E provavelmente a derradeira. Ele tem recursos próprios para se autofinanciar e rede de contatos para conseguir apoios.

Ao longo dos últimos anos, este jornalista teve o privilégio de manter excelentes conversas a sós com Henrique Meirelles, a maior parte delas quando presidia o Banco Central. Em seu gabinete ou em sua residência. Nenhuma delas, ressalte-se, como ministro da Fazenda. Suas informações factuais e declarações formais foram publicadas nas ocasiões. Contudo, restaram dezenas de confidências e inconfidências, sobretudo histórias inéditas contadas pelos amigos que podem ajudar a compreender, afinal, quem seria Henrique Meirelles? Abaixo, as melhores histórias compiladas para A República:

ORIGEM GOIANA – Henrique Meirelles nasceu em Anápolis, a 40 quilômetros de Goiânia. Na época, 1945, a capital goiana não passava de cidade provinciana e longínqua, e Anápolis um entreposto comercial de imigrantes sírios e libaneses. Hoje, em pleno do boom da agroindústria, a cidade é uma metrópole regional, joia da coroa de uma das regiões que mais crescem no país. Ele é filho de um advogado do Banco do Estado de Goiás, Hegesipo Meirelles, e de uma estilista de vestidos de noiva, Diva Silva de Campos. Seu pai trabalhou no banco até 91 anos; sua mãe frequentou aulas de inglês até os 92.

DISCIPLINA E FOCO – O primeiro emprego foi no BankBoston, hoje Fleet-Boston. Entrou na instituição em 1974, quando engenheiro recém-formado pela Politécnica de São Paulo. A fluência no inglês, conquistou só depois de virar funcionário da instituição. Passava noites lendo Shakespeare no original, com um dicionário ao lado. Para treinar o ouvido, assistia aos clássicos do cinema. Tem organização, disciplina e foco. Meirelles subiu ao topo do mundo, chegou a presidente mundial do banco americano e a ser um dos mais populares membros da corte de Bill Clinton.

TOPO DO MUNDO –   Ele foi o principal executivo do BankBoston por quatro anos, de 1996 até outubro de 1999, quando houve a fusão com o Fleet. Tinha o cargo de presidente mundial e a função de COO (Chief Operational Officer). Acima dele, só o CEO Chad Gifford. No FleetBoston, cresceu em volume de dinheiro a ser administrado mas caiu na hierarquia. O chefão, o CEO, passou a ser Terry Murray, egresso do Fleet. Seus antigos poderes foram divididos em duas bandas, varejo e atacado. Meirelles passou a ser o COO do atacado nos EUA e de todos os negócios no resto do mundo. Comandava 60% das operações, ativos de US$ 220 bilhões, segundo seus próprios cálculos. Tinha o cargo de presidente do FleetBoston Global Bank.

NETWORK – O melhor amigo de Meirelles nos Estados Unidos é um brasileiro com perfil e sucesso internacional muito semelhante ao seu: Alan Belda, que foi presidente mundial da Alcoa, cargo que passou a ocupar quando George Bush convocou seu antecessor, Paul O´Niel, para ser o secretário do Tesouro dos EUA. Meirelles também abriu acesso à cúpula das finanças mundiais.

No governo de Bill Clinton, passou a manter relações pessoais com o primeiro escalão de Washington. Chamou a atenção da Casa Branca o fato de Meirelles ser o primeiro estrangeiro a presidir um banco americano. Quando o então secretário de Estado, Warren Christopher, veio ao Brasil, ele o convenceu a visitar uma agência BankBoston em São Paulo.

Outro que ele cativou foi o banqueiro Robert McNamara, ex-secretário de Defesa de John Kennedy e Lindon Johnson, ex-presidente do Banco Mundial. Certa vez, um pouco antes de retornar ao Brasil, Meirelles levou um conhecido brasileiro para almoçar no restaurante Le Cirque, em Nova York, o predileto dos poderosos americanos. McNamara o avistou, abriu os braços e gritou para que todos ouvissem: “Hei, Renrick, my friend!”.

RELAÇÕES ACADÊMICAS – Ele manteve relações com seis universidades da costa leste. Em Harvard, Boston, foi membro do Comitê de Conselheiros da Iniciativa de Políticas Corporativas. Também conselheiro do reitor da John F. Kennedy Scholl of Government, de Harvard. No MIT, em Cambrigde, teve o mesmo cargo de conselheiro do reitor.

Na Boston College, foi membro do Conselho de Administração. Na George Washington University, na capital, foi conselheiro do Centro de Estudos Latino Americanos. Era então chamado a dar conselhos – e, principalmente, a dar contribuições e bolsas de estudos. Isso é uma tradição nos EUA.

Meirelles também fez parte do Conselho de Administração de uma série de empresas ligadas ao BostonBank ou o Fleet. Por exemplo, foi conselheiro da Raytheon, empresa que venceu a concorrência do Sivam em 1994. O banco é acionista da indústria.

VIDA DE BANQUEIRO – Em Boston, morava sozinho em uma mansão vitoriana, guarnecida por nove empregados – tudo pago pelo banco. Já abriu a intimidade da mansão para a revista Caras. Em 2001, comprou por 5 milhões de dólares uma cobertura na Quinta Avenida, Manhattan, de frente para o Central Park.

Acertou então com o board do FleetBoston fixar base em Nova York. Argumentou que, desta forma, estaria mais perto dos mercados financeiros. Passou a visitar a sede em Boston uma ou duas vezes semana – e passava a maior parte do tempo visitando os 32 países sob sua responsabilidade.

DERRAPADA – Parte do mercado atribui sua saída do FleetBoston, em julho de 2002, a uma derrapada monumental na Argentina. Meirelles apostou as fichas no mercado da América Latina. O banco teve 800 milhões de dólares de prejuízo com a quebra da Argentina, em 2001. Ele foi substituído por Eugene McQuaid, um executivo que tomou a si a missão de reerguer as operações. A verdade é que Meirelles vinha preparando sua saída um ano antes da crise Argentina, desde 2000.

VIDA DE SOLTEIRO – Ele possui uma cobertura na avenida Vieira Souto, de frente para o mar de Ipanema, Rio. Ali, desde o início dos anos 90, vinha recebendo cerca de 100 amigos para o Reveillon. Também vinha promovendo desde então grandes festas anuais em seu aniversário, 30 de agosto, em geral para 250 pessoas.

HOMEM FAMÍLIA – Ele cultiva uma turma de 20 amigos dos tempos da juventude no Lyceu de Goiânia, entre eles, Ovídio de Angelis, que foi ministro do Desenvolvimento Urbano no governo de Fernando Henrique. Insiste em reuni-los todos os anos, convida-os para suas festas e os Reveillon, escala assessores para organizar reuniões em Goiânia.

Há pelo menos 30 anos vem participando em julho de uma reunião da família em Anápolis. Entre as tias vivas, irmãos, primos e sobrinhos, aparecem cerca de 150 familiares. Certa vez, quando ainda presidente do FleetBoston, chegou de helicóptero, deixou que os parentes dessem voltas na aeronave, ficou duas horas na festa e seguiu para Singapura.

Quando em Goiânia, criou o hábito de frequentar o restaurante Piquiras. O garçom já sabe o que ele vai pedir: arroz com pequi, linguiça frita e guariroba, um palmito amargo típico do cerrado.

VIDA DE CASADO – Henrique Meirelles manteve-se solteirão convicto (e bon vivant) até os 55 anos. Namoradas? Sua prima Maria Helena e algumas outras, todas rápidas. Ressalte-se que nenhuma delas era atriz ou modelo. Em 2000, casou-se Eva Missine. Filha de alemães, criada em Belo Horizonte, separada, dois filhos, é uma respeitada médica psiquiatra adepta dos pensamentos de Jung.

Tinha consultório em BH quando conheceu Meirelles. Firmaram um contrato de união estável extremamente detalhado nas cifras envolvidas e nos deveres cotidianos recíprocos – contrato este que vazou para a imprensa na ocasião, deixando Meirelles muito constrangido.

Os amigos dizem que é ela quem analisa e opina sobre o comportamento dos interlocutores de Meirelles. “Não é verdade, ele é extremamente sagaz e independente”, garante Eva. O casal é extremamente discreto na vida pessoal e social. Aparentemente, a relação se mantém estável até o momento.

HÁBITOS PESSOAIS – Normalmente dorme cinco horas por noite. Deita-se à 1h da madrugada e se levanta às 6h da manhã. Já marcou compromissos até 2h da madrugada e iniciou entrevista coletiva à meia-noite.

Veste-se sempre com ternos sóbrios e bem cortados. Os poucos cabelos laterais, estão sempre aparados. Usa pouquíssimos anglicismos. No Brasil, toma o cuidado de se referir ao seu antigo empregador como “Banco de Boston”, em português. Ainda carrega um sotaque do interior de Goiás.

BANQUEIRO DO BEM – Meireles sempre buscou se apresentar como um banqueiro com interesses públicos. Foi ele quem criou, por exemplo, o movimento Viva o Centro, para restaurar o bairro paulistano. Em 1962, quando aos 17 anos foi eleito presidente do Grêmio Acadêmico do Lyceu de Goiânia, já anunciava:

“Vou ser governador de Goiás”, dizia. “E depois presidente da República”.

Entrou para a Juventude Estudantil Católica. Sua visão estava mais para as obras assistenciais do que para revolução armada. No ano seguinte fundou a Confederação dos Estudantes Goianos. Fez questão de incluir nos estatutos que a entidade tinha por função cuidar das pessoas carentes. A esquerda marxista, organizada no Partido Comunista Brasileiro, lhe fez forte oposição.

IMAGEM PÚBLICA – Ele está há pelo menos duas décadas construindo meticulosamente sua imagem pública. Joga sempre a longo prazo. Quando tomou posse como presidente mundial do BankBoston, em 1996, convidou jornalistas dos principais veículos do Brasil para conhecer de perto seu trabalho em Boston. Em 2001, na iminência de entrar para a política, voltou a convidar jornalistas para conhecer seu trabalho em Nova York. Os mais importantes, levou para almoçar no Le Cirque. Repetiu a dose em julho de 2002, quando recebeu em Miami o título de “Homem do Ano” da Câmara de Comércio da Flórida.

SONDAGENS POLÍTICAS – Quando constatou que teria que se aposentar do FleetBoston, decidiu que chegara a hora de retornar ao Brasil. Uma das ideias era fundar uma ONG. Sua primeira opção, contudo, sempre foi a política. Primeiro conversou com Michel Temer, então presidente do PMDB. Chegou a cogitar disputar as prévias do partido com Itamar Franco, que então pensava em retornar ao Planalto. No caminho, foi convidado por Ronaldo Caiado, fundador da UDR, para disputar o governo de Goiás pelo PFL. Visitou César Maia, prefeito do Rio, flertou com o PTB, mas numa conversa com Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Planalto, decidiu-se pelo PSDB. Sua primeira ideia era o Senado; teve que se conformar com a Câmara.

ELEIÇÃO – Entrou para os anais da política a frase de Olavo Setúbal, do Itaú, quando anos atrás rejeitou horrorizado a ideia de ser candidato a governador de São Paulo: “Banqueiro não ganha eleição”.

Quando Meirelles tornou-se candidato a deputado federal, em 2002, seis veículos estrangeiros, como o Financial Times o Herald Tribune, enviaram jornalistas para Goiás. Terminou eleito o deputado federal mais votado de Goiás, pelo PSDB, naquela que foi a eleição mais cara do Brasil, segundo sua prestação de contas ao TSE.

“Visitei em campanha 242 dos 246 municípios do Estado”, contabiliza.

Na ocasião, já deixava claro aos aliados que ambicionava governar Goiás e depois chegar à Presidência da República.

SENSIBILIDADE – Meirelles chegou a Brasília com a imagem de ser um banqueiro com sensibilidade popular, que gostava do cheiro do povo, pregava a distribuição de renda e a criação de empregos. Foi nos vilarejos do interior, relata Meirelles, que ele viu pela primeira vez a miséria de perto.

“Tive uma experiência transformadora”, disse em um de nossos encontros. “Vi que a leis do mercado sozinhas não resolvem e passei a acreditar nos subsídios e nos programas compensatórios de renda. O crescimento econômico em si é insuficiente para que a população atinja níveis sociais desejáveis”.

JEITO DIDÁTICO – Um das razões do sucesso de Meirelles no mercado financeiro norte-americano é seu jeito didático de explicar as vicissitudes da economia brasileira. Ele adora usar metáforas para traduzir o Brasil para os financistas e o economês para os brasileiros.  Dono de um sorriso fácil, olhar maroto, gestos largos e respostas rápidas, em suas andanças pelo interior, costuma repetir a máxima em suas conversas com os eleitores:

“Vou contar um segredo para vocês: administrar o governo federal não é diferente de administrar sua casa”.

RELAÇÃO COM O PT – As relações entre Meirelles e o PT são mais profundas e antigas do que supõe a antiga ala ortodoxa do partido. Em 1989, durante a campanha presidencial, Meirelles primeiro conquistou o coração de Aloízio Mercadante. Na ocasião, presidia a Câmara Americana de Comércio e decidiu convidar o candidato Lula a expor suas ideias. Em 1994, Meirelles e Mercadante sentaram-se para imaginar, juntos, algum projeto social que pudesse ser tocado por empresários e o PT. Criaram a Fundação Travessia, que ajuda crianças de rua. Meirelles foi o primeiro presidente da fundação. E o deputado Ricardo Berzoini seu primeiro diretor-executivo.

Meirelles conheceu José Dirceu em 1967, quando era militante de base da esquerda católica. Chegou a presidir o Centro Acadêmico da Politécnica em São Paulo. “Mas jamais fui marxista”, ressalva. Os dois se reencontraram em março de 2002, na presença de Mercadante. Dirceu não se lembrava de Meirelles – foi o banqueiro quem lhe refrescou a memória.

“Sou um homem de resultados, acredito em Deus, não em predestinação”.

CONVITE – Meirelles chegou ao Banco Central indicado por Dirceu e Mercadante. Antônio Palocci já havia fracassado em três outros convites. Meirelles foi a quarta opção. Um forte lobby de petistas de Goiás correu a seu favor. O então tesoureiro do partido, Delúbio Soares, pessoa da absoluta confiança de Lula, mobilizou o prefeito de Goiânia, Pedro Wilson, para que entregassem ao presidente eleito uma entrevista de Meirelles a um jornal local na qual garantia: “Eu sei como baixar os juros”.

RESIDÊNCIAS – Meirelles mantêm hoje pelo menos cinco residências conhecidas. Em Brasília, mora numa casa alugada à beira do Lago Sul. Em Goiânia, comprou um apartamento de cobertura no melhor edifício do melhor bairro da cidade. Mantém ainda a mesma cobertura na avenida Vieira Souto onde promove há quase três décadas um Reveillon com os velhos amigos. Em São Paulo, possui uma casa discreta e confortável perto do Aeroporto de Congonhas. Sua mãe morou lá nessa casa até falecer.

Em fins de 2017, circulou a informação em Brasília de que Meirelles procurava uma nova residência no bairro do Lago Sul para instalar seu comitê político. De acordo com o boato circulante, estaria disposto a gastar até R$ 40 milhões na aquisição, cifra improvável, posto que se compra excelentes mansões no bairro na faixa entre R$ 5 e 8 milhões.

RENDIMENTOS – Henrique Meirelles aposentou-se do BankBoston com rendimentos oficiais de 65 mil dólares mensais, cerca de R$ 220 mil. É dinheiro enviado pelos fundos americanos, faz questão de lembrar Meirelles. Some-se a isso os R$ 33,8 mil mensais que ganha como presidente do BC e temos rendimentos brutos de mais de R$ 250 mil.

“Levo um padrão de vida compatível com os aposentados das grandes multinacionais”, explicou ele, certa feita, a este jornalista.

Ademais, o que ganha com aplicações no mercado financeiro, é um segredo que guarda a sete chaves. Mas estima-se que, até deixar o banco, tivesse rendimentos, em bônus e comissões, no patamar de US$ 15 milhões anuais. Ele ganhou ainda US$ 110 milhões em ações do FleetBoston. Um amigo próximo calcula que seu patrimônio acumulado já tenha há muito ultrapassado 300 milhões de dólares. Em reais, teria rompido a barreira do seu primeiro R$ 1 bilhão.

LEGADO – Certa feita, quando terminava sua era como presidente do Banco Central, Meirelles recebeu este jornalista em sua residência no Lago Sul. Mais do que uma entrevista, foi uma conversa amena, descontraída, tomada de confidências. Ao final, chamou o repórter a um canto de sua casa e pediu duas gentilezas.

A primeira é que explicasse bem aos leitores não vai dar certo a ideia apregoada pelos heterodoxos de acelerar artificialmente a queda dos juros para a economia crescer. Reinando absoluto como o czar da economia de Temer, já não tem adversários internos visíveis nem precisa mais de jornalistas para ajudá-lo em sua ortodoxia. O outro pedido, bem mais simples, diria respeito a forma como gostaria de ser lembrado pela história:

— Meu legado no governo foi: economia equilibrada e estável.

Taí! Caso venha mesmo se viabilizar como candidato à sucessão de Michel Temer, sonho dos tempos do Lyceu ora acalentados por condições políticas pragmáticas, Henrique de Campos Meirelles já tem um possível slogan de campanha:

“Economia equilibrada e estável”.