Celso Amorim faz o tipo simpático e suave. É extremamente culto, mas sem pedantismo. Conheço-o há quase 30 anos. Foi meu professor no curso de Ciência Política na UnB. Depois foi minha melhor fonte quando ele era assessor internacional do Ministério da Ciência e Tecnologia e eu, um mero foca, cobria a guerra comercial do Brasil com os EUA por conta da reserva de mercado em informática (lembram-se?).

Quando virou chanceler do governo Lula, aproximei-me muito dele. Recebeu-me todas as vezes que precisei. Atendia o telefone em qualquer parte do mundo. Agora, como ministro da Defesa de Dilma, continuo podendo usufruir desse acesso especial à fonte.

Obviamente, acabei criando simpatia pessoal por Amorim. Contudo, acredito que tenha conseguido separar a empatia pessoal dos deveres profissionais. Escrevi e publiquei dezenas de matérias ou artigos criticando a gestão de Amorim no Itamaraty. Alguns bastante contundentes, em especial sua política de aproximação carnal com os BRIC’s e com os regimes ditatoriais do Oriente Médio e América Latina . Ele, por sua vez, sempre conseguiu separar o jornalista do ex-aluno. Em geral escalava um assessor para reclamar com o jornalista. Por vezes ele mesmo reclamava. Mas jamais deixou de tratar o ex-aluno com deferência especial.