Ele era o único ícone de carne-e-osso em nossos mais remotos ensaios para algum dia virarmos machos-alfa. Um gostava do Superman. Outro, do Aranha. Eu queria ser o Batman. Mas nas brincadeiras de luta-livre dos moleques de rua, todos queríamos ser o Teddy-Boy Marino.

Nas noites de sábado, fim dos anos 60, parávamos tudo para assistir às lutas do Telecatch. Era tudo muito ingênuo, uma grande marmelada na qual os mocinhos como Teddy-Boy eram de início massacrados pelo jogo-baixo, as joelhadas e as vilanias de lutadores como Verdugo, Fantomas, Leopardo e Índio Paraguaio. Mas ao final, o Bem vencia o Mal. Quando a turma de moleques se encontrava, tentávamos repetir as lutas. Ninguém sentia-se à vontade encarnando os vilões.

Soube há pouco que Teddy Boy Marino faleceu, aos 73 anos. Era imigrante italiano. Seu nome: Mario Marino. Ao fim das transmissões do Tele-Catch, em 1972, começou a carreira de ator. Atuou muito com “Os Trapalhões”.

Olhando para trás, constato ter sido ele meu primeiro coach nos treinamentos para macho-alfa. Ensinava a lutar. Mas sempre com ética. Os heróis e ídolos daquele tempo, todos eles, buscavam forjar as crianças dentro de um sistema de valores anti-maquiavélico, cuja ética sobrepujava a necessidade de vitória. O espelho-invertido do que o PT vem pregando de uns tempos para cá.

Teddy Boy Marino fazia parte do imaginário daquele tempo. Mas para uma geração de brasileiros, pode ter representado um farol. Cujo facho de luz foi muito maior do que sua silhueta.

Suba em paz, velho amigo. E aos leitores, compartilho video no qual Teddy-Boy luta contra El-Rino http://www.youtube.com/watch?v=MWDdk6UTulc