Atletas e cidadãos de todo o mundo se mobilizam para denunciar o regime tirânico na China. Alemães, canadenses, brasileiros aproveitam as Olimpíadas para chamar a atenção sobre o certo e o errado. Até George W. Bush, desta vez, está fazendo a coisa certa. Mas nosso presidente Lula silencia. Está na China para bajular os chineses por interesses comerciais. É a diplomacia do capitalismo selvagem. Está fazendo como Lord Chamberlain, que em nome dos interesses britânicos, deixou Hitler avançar. Abaixo, tem um link para aderir à campanha mundial para levar o verdadeiro Espírito Olímpico a Pequim: 

Mobilizações de ativistas brasileiros pela Liberdade

Por HUGO STUDART

Bem longe daqui, lá nas montanhas geladas do Himalaia, há neste momento mais de 10 mil cidadãos encarcerados por razões políticas. Foram presos pelo governo chinês porque não aceitam a invasão militar de seu país. A China, vale lembrar, ocupou há 58 anos o Tibet, terra de um povo singular, que não guarda qualquer relação cultural ou história com a China. Massacravam monges, prenderam dissidentes, criaram uma nova diáspora. Liderados pelo dalai lama Tenzin Gyatson, há hoje 80 mil tibetanos no exílio.

Toda hora chega ao ocidente algum novo refugiado com relatos de torturas com choques elétricos. Mas os tibetanos resistem, fazem barulho. Ano passado promoveram uma campanha internacional para que o dalai lama falasse na ONU. Agora aproveitam as Olimpíadas de Pequim para denunciar a barbárie, numa campanha internacional justa – e que está dando resultados concretos.

Os atletas estão aderindo. No início não passavam de alguns gatos-pingados canadenses. Depois atletas alemães aderiram. Ingleses, franceses, americanos. Pelas informações que chegam, já seriam centenas de atletas que vão aproveitar as provas olímpicas para marcar posição política. Logo serão milhares. Ainda não ouvi falar de nenhum atleta brasileiro aderindo. Uma pena. Mais que isso, uma vergonha.

A China, por seu lado, reage. Com censura, repressão e propaganda política. Censura a internet e os jornais. Reprime a oposição interna e das nações vassalas. Apresenta um discurso de respeito ao tal “Espírito Olímpico”. Ora, o verdadeiro Espírito Olímpico é o da liberdade, da igualdade e da fraternidade entre os povos.

Dias atrás explodiu uma bomba na província de Xinjiang, onde há 8 milhões de uigures, população de maioria islâmica e que tem pretensões separatistas. Quando vi a imagem dos uigures na televisão me assustei. São todos de pele clara e olhos amendoados. Lembram os iranianos, sendo mais claros. Não têm qualquer traço oriental.

Os uigures não são chineses. Como os tibetanos também não são chineses – e travam uma luta justa para se livrar da tirania da China. Liderados pelo dalai lama, os tibetanos usam métodos da paz. Os uigures recorreram ao terrorismo. O terror é injustificável. Execrável. Precisa ser combatido com vigor. Mas os uigures não são chineses. A China está usurpando a liberdade de 8 milhões de uigures e eles e eles explodiram soldados chineses, às vésperas das Olimpíadas, para chamar a atenção do mundo para a sua causa.

E o que nós temos a ver com isso?

Abertura suntuosa dos Jogos Olímpicos de Pequim: uma maneira de tentar ofuscar as trevas da opressão

Neste momento, bem perto daqui, há mais de 10 mil empresários brasileiros tentando fazer algum tipo de negócio com a China. Querem vender. Houve um tempo em que a comunidade internacional boicotava com sanções econômicas o regime de apartheid da África do Sul. Chamava-se isso de princípios universais em defesa dos direitos humanos. Até que um dia o apartheid ruiu.

            No caso da China, todos correm para bajulá-los. Chama-se isso de pragmatismo diplomático. Prefiro definir como diplomacia do capitalismo selvagem.

Meses atrás um grupo de deputados fez uma viagem a Taiwan, a ilha onde se abrigaram os capitalistas quando o comunismo triunfou no continente. Os deputados retornaram entusiasmados com as possibilidades de negócios. Mas o Itamaraty vetou.

Há três décadas o Brasil rompeu relações com Taiwan e optou pela China. O Itamaraty enviou uma carta aos deputados recomendando que “evitem atos e pronunciamentos sobre aquela ilha”. Logo depois chegou ao Brasil uma delegação de empresários de Taiwan para tentar conversar com o governo brasileiro. O Itamaraty fingiu que não era com eles. Só faltou muito pouco para recomendar aos políticos que também não se falassem contra a tortura e as violações dos direitos humanos no Tibet.

Diante de situações extremadas, como a opressão política, tibetanos chegam a cometer atos absolutamente insandecidos, como a autoimolação

Lula chegou à China com essa recomendação absurda, alienando-se, protegendo-se, mantendo-se em obsequioso silêncio. Lula parece Lord Chamberlain pisando-em ovos para não desagradar a Hitler e aos nazistas. Em nome dos interesses comerciais britânicos, Chamberlain criou a chamada “política guarda-chuva” e deixou Hitler avançar por toda a Europa. Até Bush, que tem muitos erros, neste caso está fazendo a coisa certa. Lula prefere se esconder debaixo de um guarda-chuva que só protege a si mesmo – e o resto se dane na chuva da tirania chinesa.

Mapa da invasão

Aqui no Brasil está na pauta de debates políticos a revisão da Lei da Anistia para julgar militares acusados de tortura. O argumento é o de que a tortura é um crime hediondo (e de fato é hediondo!), e que as leis universais dos Direitos Humanos deveriam estar acima das leis nacionais. Também concordo.

O paradoxo é que o mesmo governo que fala em julgar ditadores brasileiros que torturaram há mais de 30 anos atrás, finge não ver os crimes hediondos que neste exato momento estão sendo cometidos pelo regime tirânico da China. Tudo em nome dos nossos interesses pragmáticos.

Ora, isso não é pragmatismo. Mas a selvageria do capitalismo.